quinta-feira, 04/05/2017 - 39 Ordinária

Projeto de Lei nº 143/2015

VEREADOR RODRIGO BELTRÃO (PT): Bom, eu tive oportunidade de, no Grande Expediente, ali tentar fazer uma fala da trajetória do Xiruzinho, para tentar resgatar, tentar ressaltar alguns aspectos importantes, para tentar demonstrar de que essa obra do Xiruzinho, João Darlan Bettanin, é uma obra extremamente vasta do ponto de vista da sua capacidade como compositor, sua capacidade como intérprete. E, como eu disse, usei esse termo, como verdadeiro embaixador da nossa cultura para além das nossas fronteiras. Eu pessoalmente tive a oportunidade de conviver com Xiruzinho ali de 1997 até 2000, quando fomos colegas do curso de Direito. Lembro que o vereador Felipe também circulava ali pelo curso, e eu identifiquei que o Xiruzinho, naquela época, tanto que depois veio a concorrer inclusive a vereador, ele tinha uma veia política. Então foram muitas conversas, muitos debates. Nós tínhamos ali o Bloco I do curso de Direito, e quem fazia Direito só tinha um Bloco, não é como hoje que é disperso lá na UCS, e existia o bar do Renato, que inclusive é servidor aqui desta Casa, onde ali se travavam vários debates. A obra do Xiruzinho é uma obra que obviamente transcende essa questão local, municipal, ela vai muito além. E ele sempre teve essa ideia de fazer parcerias, de valorizar outros músicos e uma extrema qualidade na obra que tinha. Então hoje nós aprovarmos o nome Xiruzinho, que é o João Darlan Bettanin, é um reconhecimento, sim, mas também é um incentivo para que a nossa cidade ascenda do ponto de vista cultural e principalmente do reconhecimento. Porque infelizmente muitos artistas que hoje, na nossa sociedade atual, têm muita dificuldade de levar adiante o seu trabalho, só tem o seu reconhecimento posterior. E nós temos hoje a possibilidade, enquanto Casa Legislativa, de colocar o nome do Xiruzinho num espaço que é identificado com a cultura. É Espaço Multicultural Xiruzinho, João Darlan Bettanin, lá na Festa da Uva, em que lá já se encontraram grandes cantores da música nativista. Então é um gesto simples, singelo, mas que ao mesmo tempo ele vem carregado de uma simbologia extremamente importante para nós valorizarmos esse cidadão que foi o Xiruzinho. Ele tem uma frase que nos faz uma profunda reflexão, mas também nos traz um alento, porque o Xiruzinho, inclusive ele escreveu um livro que é “A Arte Real”, ele sempre estava muito conectado com essa ideia que ele entendia como uma essência da nossa vida que é a evolução da pessoa, do ser humano. Então ele sempre foi muito ligado, muito conectado com esse tema. E tem uma frase aqui que eu peguei do Xiruzinho, nesse livro “A Arte Real”, que ela é profunda e faz uma reflexão, inclusive, nos traz um alento em relação à passagem dele. “Estamos de passagem por um mundo expiatório, portanto não fique demasiado triste quando um amigo fechar os olhos do seu corpo, pois tenho certeza que Deus abre para sempre os olhos de sua alma.” Então o Xiruzinho, essa convicção dele, essa nossa convicção que enquanto alma, enquanto ser, isso se perpetua para além desse mundo, mas a obra dele e a memória estão vivas. Estão vivas seja pela sua família, pela sua esposa e pela sua filha, que é o fruto dessa união, seja pela sua obra que vai perpetuar, vai incentivar e certamente vai instigar tantos músicos aí Brasil afora. Então, senhor presidente, quero inclusive agradecer V. Exa. pela sensibilidade enquanto presidente da Casa em ajudar nessa construção coletiva de vir para a pauta, V. Exa. demonstrou importância com o projeto. Conversamos inclusive no dia que esteve aí o secretário Cezar Schirmer, lá na Festa da Uva, não, lá na CIC, conversamos lá, e V. Exa. demonstrou essa sensibilidade. Queria também agradecer, na pessoa dos presidentes da Comissão de Constituição e Justiça, o vereador Cassina e o vereador Elói, da Comissão de Desenvolvimento Urbano, porque nesta Casa não se faz nada sozinho. É uma proposição minha, na qual tenho que agradecer aqui os amigos, minha esposa, Gabriela, que foi fundamental nessa construção com a família, com os amigos. Não é um projeto, uma proposição que apenas ela foi escrita no papel e está em votação. Ela foi construída a muitas mãos. Foi se buscando legitimidade e apoio com uma proposta que do dia que protocolamos até hoje, diante dessa iminente aprovação, não vi ninguém ser contrário. Pelo contrário, as pessoas demonstraram entusiasmadas com esse reconhecimento que logo mais faremos. Então, obrigado, presidente, obrigado à família e fico na expectativa da aprovação do projeto.
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VEREADOR GUSTAVO TOIGO (PDT): Senhor presidente, nobres pares. Eu não costumo fazer a discussão, a primeira discussão dos projetos, mas nós queremos cumprimentar o vereador Rodrigo Beltrão pela justa iniciativa de protocolar já há bastante tempo. Estamos votando o substitutivo hoje dando nome a um espaço importante, um espaço cultural que temos na nossa Festa da Uva que é popularmente conhecido como cancha coberta, mas oficialmente é o espaço multicultural. Este projeto, vereador Rodrigo, ele vem carregado de um grande simbolismo. Ele é justo, ele homenageia um grande cidadão, que teve a sua atuação na nossa cidade. Então a Câmara de Vereadores, neste momento, ela presta uma justa homenagem, um reconhecimento a todo um legado que este artista deixa ao município de Caxias do Sul com a sua obra e não é pequena a obra do Xiruzinho, é uma obra de vanguarda. Eu diria que é um dos artistas que ombreia, lado a lado, com nomes como: César Passarinho, Adelar e Honeyde Bertussi, Jayme Caetano Braun, enfim, como disse o vereador Elói, o Pedro Ortaça, um verdadeiro missioneiro. Então entendo que está colocado em bom nome, o nome do Xiruzinho. Ele que foi meu colega, não lembro se em 96 ou 97, cursamos juntos Filosofia do Direito, junto com o nosso professor Chico Kury, à época, na universidade. Ele sempre foi um colega brilhante, um colega legal e que nós temos essa estima por ele. Então cumprimentar aqui a sua esposa, a Márcia, a filha, os familiares, os amigos, os companheiros de jornada que trilharam junto com Xiruzinho. Isso é muito bonito, porque o Xiruzinho, acima de tudo, levou o nome de Caxias do Sul em todos os torrões do Estado, do nosso país levando a sua mensagem, levando a sua cortesia, levanto todo o seu aprendizado. Então com certeza ele que se dedicou muito à música, à produção cultural e artística, se dedicou muito a sua família. Era um pai honrado também e teve em 2014 um acidente fatal, quando voltava para compromissos em Caxias do Sul, entre Gramado e São Chico. Nós lembramos, o seu automóvel pegou o fogo. E nós trabalhamos intensamente... Era um feriado e por isso que às vezes é bom termos essa tribuna para reparar algumas coisas, vereador Rodrigo. À época, inclusive, nós fomos injustamente acusados de não ter oferecido o espaço da Câmara de Vereadores para velar o corpo, o que foi uma inverdade. À época nós fomos consultados por terceiros e começamos a trilhar, a trabalhar, tentar contato com os familiares, ver o desejo dos familiares. E quando conseguimos fazer contato com os familiares, os familiares optaram por não velar aqui. Saibam todos que nós trabalhamos muito. Inclusive com o chefe do DML, o Sr. Airton Kramer, à época estava difícil à liberação do corpo. E nós trabalhamos de forma intensa e conseguimos liberar a bom termo para que ele tivesse, justamente com os seus familiares, com os seus amigos, com a população caxiense, um velório digno dessa pessoa que representou. Então à época nós estivemos de maneira apressada, de maneira equivocada, os comentários de algumas pessoas que não vem citar agora, não foram justamente os familiares. Foram terceiras pessoas que não compreenderam esse fato, mas nós tivemos inclusive, não é, Márcia? Junto ao velório lá fazendo as nossas últimas despedidas, todo o nosso reconhecimento aquela época, porque realmente ele foi um artista que merece todo o reconhecimento. Então, é um reparo que a gente faz, de público, deixar registrado nos Anais toda essa nossa consideração. Era um feriado e realmente nós lamentamos esse acidente que foi um acidente muito brusco, que realmente ele abreviou a vida desse grande cidadão que tinha... Que deu muito para Caxias, mas tinha um legado para ainda andar por muito tempo, por diversos anos contemplando toda a nossa cidade, todo o nosso Estado, essa obra maravilhosa, que o Xiruzinho nos deixa como legado. Então, senhor presidente, nobres pares, eu acho que a Câmara acerta muito em denominar esse espaço cultural, um espaço onde promove a arte, a música, a cultura caxiense e rio-grandense com o nome de Espaço Multicultural Xiruzinho. Parabéns, vereador Rodrigo. Com certeza, no momento oportuno, na segunda discussão, irei votar favorável. É discussão única? Então já declaro o meu voto agora, presidente. Votarei favorável com muita honra.
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VEREADOR ELÓI FRIZZO (PSB): Senhor presidente. Vereador Paulo Périco, só para nós complementarmos um pouco a minha fala anterior no aparte. Tirei uma boa parte do tempo do vereador Rodrigo. Mas mais do que justa, vereador Rodrigo. Nós que somos oriundos da História, a gente tem mania de fazer esse resgate do passado. Eu sempre gosto de dizer que, em Caxias, nós temos uma característica, que têm algumas pessoas que são uma unanimidade para nós. Não adianta criticar que não pega. Eu falo, por exemplo, de Abramo Eberle; falo de um escultor que nem o Bruno Segalla. Vamos falar de pessoas que estão aí ainda vivas, acompanhando por muito tempo: José Clemente Pozenato, Cleodes Piazza, outros tantos. Então, o Xiruzinho tinha esse perfil, Márcia, ele era, sem dúvida nenhuma, uma unanimidade na cidade, em todos os eventos. Está aqui o Ovídio, que veio aqui não por causa da Festa da Uva – não é, Ovídio? Tu mesmo me dizias: “Eu vim aqui em homenagem ao Xiruzinho”. E nós que convivemos com ele tantas vezes nos jantares da quinta, e o Xiruzinho contando as histórias dele e tal, as idas dele principalmente para o Mato Grosso, cantando lá no meio dos fazendeiros, contando – não é, Luiz? – as histórias do que acontecia por lá... Então, eu digo assim que o Xiruzinho tem esse perfil, porque ele era um cara que transitava da esquerda mais radical ao maior conservador. Ele se dava bem com a turma do PSol, do PCdoB então mais ainda, mas ele concorreu a vereador pelo PMDB. Então, ele era um cara que transitava... E mesmo quando concorreu a vereador pelo PMDB – lamentavelmente não se elegeu, teria dado uma grande contribuição a esta cidade, sem dúvida nenhuma –, o pessoal entendeu: “Não, ele optou porque foi o primeiro que chegou lá e disse assim: eu quero que tu concorras a vereador”. E tenho certeza de que, se outros tivessem, talvez... Porque ele gostava da política, ele discutia. Isso que V. Sa. referiu, ele gostava muito de discutir política. Ele era um ser que tinha opinião, e opinião firme. Então nesse sentido, eu acho que estamos fazendo aqui, sem dúvida nenhuma, uma bela homenagem e deixando gravado na nossa cidade... Eu acho que a ideia de homenagear num espaço cultural é interessante, vereador. Nós poderíamos optar por escolher uma rua, uma avenida, uma coisa assim, mas talvez não tivesse muito a ver com ele, com o que ele nos representou na cidade. Então definir um espaço cultural da cidade, sem dúvida nenhuma, eu acho que foi uma ideia importante de V. Sa., vereador Rodrigo. Eu me somo a todos aqueles que dizem: “Que bom que nós tivemos na nossa cidade uma pessoa tão fantástica que nem o Xiruzinho”. E, obviamente, votarei favoravelmente na hora da votação, senhor presidente.
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VEREADOR FLAVIO CASSINA (PTB): Senhor presidente e colegas vereadores. Apenas para dizer que a homenagem é muito justa. Que votarei favorável, evidentemente, a esse músico por vocação, por esse dom que o grande arquiteto do Universo lhe concedeu, escritor, irmão e amigo. E só espero que com o desmanche da Festa da Uva não seja dado o nome a um espaço fantasma. É esta a minha observação.
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VEREADOR EDSON DA ROSA (PMDB): Senhor presidente, votarei favorável. O bom da Câmara é o que acontece, às vezes, e a câmera não mostra. O Marçal veio aqui dizer para nós que quem intercedeu para ele receber o Título de Cidadão Caxiense, uma das pessoas, foi o Xiruzinho, em 1991. E veio na homenagem tocar. Então às vezes... Isso é bom retratar para as pessoas entenderem a história. O Luiz, eu sou suspeito, o Luiz mora num bairro muito bom. Não é, Luiz? O Bairro de Lourdes. Eu não sei se mudou, mas mora ali no Bairro de Lourdes. O Luiz é um músico de primeira linha e tem essa humildade. Na pessoa dele, da esposa Márcia e da filha Eduarda fazer uma saudação muito importante ao vereador Beltrão, que teve essa iniciativa. Parabéns, vereador Rodrigo! Eu sou um amigo do nosso falecido Xiruzinho, que era uma pessoa muito querida. E eu vi ali naquele vídeo. Pelo vídeo das pessoas que estavam tocando com ele emociona, porque recorda o nosso tempo de Rincão da Lealdade. Daniel Bazo de Barros estava ali. Estava o Clóvis, de Os Três Vaqueanos. E essa representatividade cultural em nominar aquele espaço, por pertencer a essa representação cultural quando foi criado aquele espaço ali, vereador Rodrigo Beltrão. Então meu voto, senhor presidente, é sim. Com muita sinceridade e com muita honra, porque muitas vezes a gente homenageia as pessoas depois que elas já se foram. Mas é importante pela história do Xiruzinho, um músico de primeira linha. E das velhas conversas que nós tínhamos, inclusive ali no Bar 13. O Xiruzinho era um frequentador assíduo ali do Bar 13. (Esgotado o tempo regimental.) Então trazer um pouquinho dessa história para que as pessoas entendam muitas vezes essas possibilidades que nós temos de homenagear aqueles que passaram e construíram a nossa história de Caxias do Sul, que é o caso do Xiruzinho. Senhor presidente, votarei favorável.
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VEREADOR ARLINDO BANDEIRA (PP): Senhor presidente, senhoras e senhores vereadores. Quero aqui cumprimentar a todos que estão no plenário. Ovídio Deitos aqui, nosso parceiro, correligionário também do nosso partido. Vereador Beltrão, parabenizar você por essa bela homenagem. Apenas também para declarar aqui o meu voto favorável. Com certeza ficará marcado esse nosso amigo que a gente conheceu há muito tempo. Com certeza essa homenagem irá alavancar muito nossa Caxias do Sul. Nossos familiares que estão aqui, pessoas queridas. A morte ninguém quer, meus colegas. Sempre falo aqui. Ninguém aceita. Mas temos que aqui fazer a nossa parte, acreditar, ter fé e estar preparados, vereador Cassina, cada um de nós, que nós temos um lugar marcado na nossa morada. E fazermos então a nossa parte aqui, essa bela homenagem, vereador Beltrão. Parabéns mais uma vez. E meu voto, sim, é favorável. Obrigado, senhor presidente. Era isso.
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Votação: Não realizada

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