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Vereadores retomam debates sobre feiras, gás e saúde


Discussão sobre ideologia de gênero e liberdade de expressão também marcou fala dos líderes


Não há diferença entre produtores rurais que abastecem a Feira do Agricultor. Tanto os que comercializam verduras, legumes e frutas durante a entressafra quanto os que trazem artigos cultivados em suas propriedades abastecem a população a partir da atividade agrícola. É incorreta a interpretação de que são atravessadores.

As afirmações foram feitas pelo vereador Alceu Thomé/PTB, que na sessão ordinária desta quarta-feira (11/10) repercutiu impacto de sua denúncia contra a punição imposta pelos fiscais da Secretaria da Agricultura contra alguns feirantes, deflagrada ontem. O petebista voltou a dizer que a decisão ignorou o sentimento manifesto e acertado na audiência pública que tratou do assunto. O certo é que o que foi combinado não está sendo cumprido, concluiu.

Adiló Didomenico, líder do PTB, concordou com Thomé e alertou o vereador Ricardo Daneluz/PDT, que integra o Grupo de Trabalho montado a partir da audiência, para os riscos de participar de um processo de desmonte da Feira, pois está provado que a secretaria não tem palavra. Adiló trouxe a informação de que alguns produtos já desapareceram da Feira. O certo é que o que foi combinado não está sendo cumprido.

O vereador Velocino Uez retornou ao assunto falando em nome do PDT, chamando a atenção para pautas da mídia nesta manhã: a abertura ou não dos supermercados no feriadão, a greve dos professores e suas consequências para os alunos, e a ação dos fiscais da agricultura na Feira. Sobre este assunto, Velocino defende moção de repúdio contra este tipo de ação promovida pela fiscalização da Agricultura, nem tanto contra a pessoa da secretária Camila Sandri.

O pedetista destacou que casos como o da comercialização do aipim e da moranga só podem ser avaliados mesmo por pessoas que sabem como funciona. Explicou que alguns produtos vêm do Baixo Caí e que só chegam à Feira porque produtores de lá atendam à demanda e satisfazem os consumidores de Caxias do Sul.

Na avaliação de Velocino, se os fiscais continuarem “caneteando” os feirantes, ao invés de comercializarem seus produtos na Feira eles serão obrigados a entregar aos supermercados. Por fim, o vereador assinalou que, a seu ver, a Secretaria da Agricultura tem que ter a visão do agricultor, porque ele tem a visão de quem vive da produção agrícola.

O parlamentar apelou à administração municipal para que priorize instrumentos que aperfeiçoem o sistema e não simplesmente aplique multas. Pediu que os técnicos instruam quem precisa, por exemplo, no preparo adequado do aipim e da moranga que são vendidos. O vereador sugeriu que criem, se entenderem correto, um selo para os vinhos de Caxias, mas o importante é permitam que a cidade continue tendo orgulho de ser o maior produtor de alimentos o RS.

O líder do PTB, Adiló Didomenico, não se conforma com o a absurda política de gestão da Petrobrás em relação aos preços do gás de cozinha, produto de primeira necessidade para as famílias, e que já subiu mais de 57% neste ano. Disse que, segundo distribuidores com quem tem relação, o preço deve bater em R$ 100 até o final o ano.

É evidente, diz o parlamentar, que nenhum trabalhador conseguirá recuperar a diferença com seus reajustes de trabalho. Estranha ao vereador o fato das pessoas estarem se acostumando com a sistemática implantada, o silêncio dos deputados e dos senadores e da mídia sobre o assunto e, pior, da falta de reação diante da realidade. Prognosticou que, com a inviabilidade de comprar gás, em breve os brasileiros mais pobres estarão fazendo fogo com excremento de animais, secos.

O líder do PRB e chefe da bancada da situação, Chico Guerra, reagiu às considerações feitas pela vereadora Ana Corso/PT no Grande Expediente, criticando duramente a “volta da Censura” representada pela reação à exposição “Queermuseu”, que causou polêmica nas últimas semanas. O vereador, que protocolou projeto à Casa proibindo a distribuição de obras que fazem referência a ideologia de gênero nas escolas municipais, explicou que sempre vai defender  o que é melhor para as pessoas, a partir da condição de pai.

Na opinião do parlamentar, o que está ocorrendo é que, em nome da arte, estão querendo embutir outras coisas, exemplificando com a exibição de cenas de sexo explícito na TV em horários inadequados . Chico conclui afirmando que censura é aquela que deve ser feita pelos pais em relação a seus filhos, porque se não houver limites os filhos, eles perdem a base familiar, e aí não há mais nada a perseguir.

Em aparte, Edson da Rosa/PMDB contribuiu com informações técnicas sobre o estágio de discussão em nível nacional, estadual e local sobre a inclusão da ideologia de gênero nas escolas, que ele é visceralmente contra. Para o vereador, gênero é humano, e masculino e feminino são sexos. Ele faz parte do fórum de discussão sobre Plano Municipal de Educação, que não tem ideologia de gênero. Há também um anexo sobre ideologia de gênero no ensino médio que está sob avaliação, tanto no MEC como no município. Há um controle rígido para que isso não ocorra nas redes estaduais dentro do Programa Nacional do Livro Didático.  O vereador Rafael Bueno/PDT também fez uso de aparte para analisara situação.

Em outro aparte, o vereador Edi Carlos/PSB anunciou que protocolará projeto estabelecendo obrigatoriedade dos cartórios em encaminhar à Fundação de Assistência Social (FAS) os casos de crianças que não têm pai conhecido. Argumentou que a Constituição assegura a todo o filho o direito à paternidade e que, segundo estatísticas no Brasil, mais de 5 milhões de crianças não levam o nome do pai.

O vereador Alberto Meneguzzi, do PSB, relatou ter sido acionado por cidadão para ir sábado à noite ao pronto-socorro do Hospital Pompéia, onde dezenas de pessoas aguardavam atendimento há longo tempo. Após inteirar-se do caos instalado, o socialista se dirigiu ao médico plantonista, que reagiu de forma agressiva, tratando o vereador com desrespeito, pelo que depois tentou se desculpar.

Do episódio e da investigação que fez, Meneguzzi concluiu que o médico tem problemas na medida em que trata desta forma um vereador no exercício de sua atividade. Então, imagina que atenção dará aos pacientes. O parlamentar percebeu que, embora toda a boa vontade da direção e comprometimento dos funcionários, o Pompéia não conseguirá atender a demanda represada de 1.357 cirurgias já agendadas e mais de cinco mil consultas na área da traumatologia.

Diante dessa realidade e resgatando queixas desesperadas que ouviu de pacientes que aguardam por cirurgias sérias agendadas para 22 de maio e até hoje não realizadas, o vereador fez um apelo ao prefeito Daniel Guerra: que lidere um grande pacto pela saúde visando dar vazão a tanta demanda e diminuir o sofrimento da população.

O líder do PCdoB, Renato Oliveira, emendou na fala de Meneguzzi para referendar o pedido já formulado de mutirão na área da saúde. O comunista tem dúvidas de que será atendido, na medida em que o prefeito ignora que esteja ocorrendo uma greve na cidade. A dificuldade aumenta porque o número de exonerações ocorridas no sistema, de janeiro até hoje, alcança 70 profissionais.  

O comunista declarou que o município não consegue nem fazer o “beabá” de uma administração, que é de prestar serviços que são de sua responsabilidade. Lembrou o anúncio feito pelo prefeito, em visita ao bairro Cidade Nova, como se fosse grande coisa a instalação em 45 dias de 9 luminárias naquele local, nada referindo sobre as outras demandas por infraestrutura reclamadas pela a população. Não contempla, porém, o trecho da rua Luiz Covolan, já contratado, com dinheiro obtido a fundo perdido desde o ano passado.

O vereador terminou dizendo que não esperava a participação do Executivo na solene homenagem promovida nesta quarta-feira aos 60 anos da APAE, cuja história comoveu a todos. Justificou sua dúvida porque a entidade foi pisoteada pela administração, que além de não passar recursos ainda multou a APAE. Como a prefeitura enviou representante à homenagem, espera que este gesto signifique reconsideração sobre tratamento dado à instituição beneficente.

11/10/2017 - 15:25
Assessoria de Imprensa
Câmara Municipal de Caxias do Sul

Editor(a): Clever Moreira - 8697
Redator(a): Paulo Cancian - MTE 3.507

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